Ouricuri e Região – cursos superiores a todo vapor: qualidade ou quantidade?

18/11/2013 15:52

Na última década, observamos uma crescente abertura no que diz respeito ao acesso de estudantes aos cursos superiores. Antigamente, entrar na universidade era um motivo de grande orgulho e, sobretudo, um enorme desafio pela conquista da profissionalização e da autonomia. Será que este pensamento ainda impera na mente dos nossos acadêmicos contemporâneos?

Nos últimos anos, venho percebendo um número infindável de pessoas tendo acesso a cursos de graduação nas mais diversas áreas do conhecimento. Em Ouricuri e região do Sertão do Araripe Pernambucano é claramente visto uma quase “banalização” do ensino superior. Áreas como Pedagogia, Ciências Contábeis, Serviço Social, Direito, Administração, Educação Física e Teologia são algumas das que aparecem com maior frequência nas instituições públicas e particulares de ensino. É a década dos institutos.

Contudo, há uma questão que vale ser ressaltada e instigada: será que as instituições estão com as devidas prerrogativas e capacidades operacionais e estruturais para formar pessoas para no âmbito do ensino superior? E os alunos, estão realmente dedicando-se a uma formação por “excelência” ou estão apenas interessados em certificados? Se for o último caso, sinto muito. O mercado de trabalho está cada vez mais disputado e, nesta perspectiva, apenas os grandes profissionais serão aproveitados e valorizados como tal (a não ser que venham os conhecidos “apadrinhamentos”, que não é a melhor alternativa, nem a mais justa). Em um futuro muito próximo (talvez já no presente) as competências profissionais serão (ou são) testadas frequentemente, e aquele que não se dedicar com afinco durante a sua formação pode sofrer graves consequências no futuro. E o que dizer dos acadêmicos que cursam uma faculdade privada? Investir dinheiro e não aproveitar o tempo e a disponibilidade dos professores seria mera estupidez.

Coloco um exemplo que percebo bem de perto: conversando com professores que atuam nos institutos de ensino superior, com aulas aos finais de semana, bem como em faculdades com aulas diárias, vimos que uma considerável parte de acadêmicos não tem o devido interesse pelo curso ou pela formação. É como se estivessem apenas “cumprindo tabela” ou “cumprindo uma obrigação”, ou ainda “apenas esperando um certificado”. Consideramos que, neste sentido, falta uma atitude básica a todos os que querem um dia ser vencedores: COMPROMETIMENTO. Nestas mesmas observações, percebemos que, na maioria das vezes, são enviados professores com perfil profissional e pessoal com legítima propriedade para desempenhar suas atividades, mas esbarram em um COMODISMO crônico. O que nos deixa feliz é também observar que há uma grande parcela de estudantes que tem um futuro promissor, de sucesso. Mas não são tantos assim.

Vejo frequentemente alunos de cursos de graduação, nas redes sociais, com frases do tipo: “partiu, faculdade” ou “a faculdade está me sugando” ou até mesmo “intervalo na faculdade”. Vejamos: o aluno está na faculdade, mas com a cabeça nas redes sociais ou em outras situações. Além disso, há ainda frases do tipo: “trabalho da faculdade pronto”. Nada mais do que o óbvio, uma simples obrigação de quem está em um curso superior (não há nada de status nisso). Mas deve ser lembrado que apenas o fato isolado de realizar uma atividade da faculdade, por si só, não é o fator principal: deve ser agregado valor ao que se fez.

Exponho um texto de um velho professor de Fisiologia que afirmou, em um sermão aos seus alunos, que apenas 5% dos alunos são excelentes. Os outros 95% servem apenas para completar a turma. Ele avalia isso para todas as profissões: de cada 100 médicos, apenas 5 são realmente excelentes; de cada 100 motoristas, apenas 5 são grandes profissionais; e de cada 100 professores, apenas 5 são aqueles que farão a diferença no futuro de seus alunos. Um caso para refletir (e muito).

Assim, não basta apenas estar cursando uma graduação. Deve ser levado em conta o tempo gasto, as energias, os objetivos, o planejamento feito e a contribuição que poderá ser dada à sociedade, pois sabemos que há os bons profissionais, os profissionais medianos e os profissionais excelentes. Em que grupo você, acadêmico, gostaria de estar inserido. Depende, principalmente, de você!

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