Falar de educação

16/12/2013 12:34

POR: Mabel Velloso - Baiana, nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, professora, escritora, compositora, mãe da cantora Belô Veloso, irmã dos ícones da Música Popular Brasileira, Caetano Veloso e Maria Bethânia e filha de Dona Canô

Na verdade, falar de Educação, de Escola é o que mais gosto de fazer. De escrever, não. Escrever gosto de contos infantis e poemas. Poemas para mostrar os "pensamentos cansados de esperar para serem ditos"- como definiu poesia minha filha Belô.

Convidada a escrever sobre Educação fico pensando no tempo em que estou vivendo, e entre assustada e feliz me dou conta que em dezembro vou festejar 55 anos de formada em professora e não sei direito se é melhor ou pior o meu tempo de estudante ou o de hoje. Sem tanta preocupação com vestibular estudávamos para aprender e não para passar... Professores se esforçavam para os alunos aprenderem e não para serem os primeiros na aprovação. Professor e aluno eram cúmplices e os pais auxiliavam, sempre por perto. 

São 55 anos que lido com aulas e alunos. Do ano de 1955 para hoje muita coisa nova apareceu, o progresso saltou dos cavalos, das carruagens por onde viajava e veio de avião! De foguete talvez! Acompanho a galope as novidades. Quero estar informada para poder informar aos novos alunos o que o mundo de hoje tem de mais bonito. O lado feio não quero passar adiante. Todos sabem tudo de tudo e minha preocupação é que as crianças convivam com o medo e o desamor. Acho que a Escola tem que se ajustar aos novos tempos, mas não pode deixar de lado o agrado nas salas e nos recreios. Preocupo-me observando que no intervalo das aulas os meninos só se dirigem às cantinas. A Biblioteca fica de porta e coração abertos e ninguém vai até lá. Parece que os livros ficam esperando com tristeza a visita dos alunos obrigados por professores para pesquisar para obter nota. O dever de casa é disatribuido diariamente. E o prazer de casa? No ano de 1956 quando tive minha primeira turma de uma Escola Pública em Santo Amaro comecei a passar Prazer de Casa além do Dever de Casa. A Escola era mais prazerosa! Além dos problemas, das múltiplas escolhas, do falso e verdadeiro, sempre pedi que olhassem o céu e descobrissem o Cruzeiro do Sul, as Três Marias e num desenho simples escolhessem a estrela mais bonita, a constelação preferida. O Prazer de Casa podia ser também olhar o Rio Subaé na hora da maré cheia, pedi em casa a letra de uma canção antiga para cantarmos na sala. Sempre soube que cantar e contar é o melhor caminho para ensinar. 

Aula sempre foi para mim tempo sagrado. O recreio era de conversa, de brincadeiras, de cantar roda e tirar verso. Por que o progresso carregado de jogos eletrônicos tirou a prosa e o verso dos encontros entre professores e alunos, e alunos e colegas? Por que os versos de Olavo Bilac não são declamados para ensinar a amar mais o nosso País? Por que não se canta Luar do Sertão de Catulo e minha Jangada de Dorival Caymmi para despertar interesse por nossas belezas do céu e do mar?

 

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